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Dívidas: em Qual Ordem Pagar (e a Armadilha de Trocar Uma por Outra)

20/10/2026

Finanças e Vida · VF-2026-0027

20 de outubro de 2026 · Leitura: ~4 min · Por Hans Maia

Dívidas: em Qual Ordem Pagar (e a Armadilha de Trocar Uma por Outra)

Quando as dívidas se acumulam, a pergunta natural é: “qual eu pago primeiro?”. A resposta intuitiva, a menor ou a mais antiga, nem sempre é a mais barata. O critério que manda é outro: quanto cada dívida custa por mês.

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“Dívida grande com juro baixo incomoda. Dívida pequena com juro alto devora. A ordem de pagamento é uma conta, não um sentimento.”

O retrato do endividamento

Segundo a Peic, pesquisa mensal da CNC, cerca de 82% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida, e o cartão de crédito aparece em mais de 85% dos casos. O rotativo do cartão, a mais cara de todas as modalidades, passa de 400% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Existe um freio legal: no rotativo do cartão, juros e encargos não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida. É um limite importante, mas ele não torna a dívida barata, apenas impede que ela cresça sem fim. Para entender o mecanismo, vale ler Cartão de Crédito: Aliado ou Armadilha?.

Então, como organizar o pagamento? Do mais caro para o mais barato, nesta ordem:

Ordem Tipo de dívida Por que nessa posição
1º Rotativo do cartão e cheque especial Têm os juros mais altos do mercado
2º Crédito pessoal, financeiras e carnês Juros altos e parcelas curtas
3º Parcelamentos e empréstimos de juros médios Custam menos, mas ainda pesam
4º Financiamentos (imóvel, veículo) e consignado Juros menores, com garantia ou desconto em folha

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Como fazer na prática

1. Liste tudo. Anote cada dívida com valor, juros ao mês e número de parcelas. Se você ainda não tem um orçamento, comece por Orçamento Pessoal.

2. Pague o mínimo das menos caras. Isso evita atrasos e multas. Todo o dinheiro que sobrar vai para a dívida mais cara da lista.

3. Renegocie com informação. Peça o CET de cada proposta e compare. Considere também a portabilidade de crédito, que permite levar a dívida para outra instituição com juros menores. Mais detalhes sobre negociação em Como Sair das Dívidas.

4. Cuidado com a troca de dívida. Pegar um empréstimo novo para quitar o cartão só funciona se o custo for realmente menor e se você parar de gerar a dívida antiga. Sem isso, a conta dobra. Para entender quando a dívida pode ser aliada, veja Dívida Boa x Dívida Ruim. E se o problema está no limite da conta, leia Cheque Especial.

Antes de quitar uma dívida com outra, faça duas perguntas: o CET novo é menor que o da dívida atual? E eu vou parar de gerar a dívida antiga? Se uma das respostas for “não”, pare e reveja o plano.

Glossário rápido

Os termos deste artigo, sem complicação

Rotativo: Juros cobrados quando você paga só parte da fatura do cartão. O saldo restante é financiado a uma das taxas mais altas do mercado.

CET: Custo Efetivo Total: o preço real de um crédito, somando juros, tarifas e seguros.

Juros compostos: Juros que incidem também sobre os juros anteriores. Por isso a dívida cresce cada vez mais rápido.

Portabilidade de crédito: Direito de transferir uma dívida para outra instituição com condições melhores.

Consignado: Empréstimo com parcela descontada direto da folha de pagamento ou do benefício. Costuma ter juros menores.

Inadimplência: Atraso no pagamento de uma dívida.

Renegociação: Novo acordo com o credor para mudar prazo, juros ou valor das parcelas.

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Hans Maia

Sobre o autor

Hans Maia

Bancário com 23 anos de experiência no mercado financeiro. Tecnólogo em Gestão Financeira e MBA em Controladoria, Auditoria e Perícia. Fundador do Coisas do Hans — educação financeira para a vida real, sem fórmulas mágicas e sem enrolação.

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